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Isabel Azinhais

Conheci o António Júlio na Escola Superior de Belas Artes de Lisboa . Sendo eu aluna de Design e ele de Escultura.

Se tivesse que o definir em quatro palavras diria: Generoso; Corajoso; Empático; Zangado. Éramos poucos … lembro-me que na altura seriam cerca de 100 alunos finalistas no conjunto dos três cursos pelo que todos nos conhecíamos.

 

Era uma época agitada de despertar político de grandes causas que nós como aspirantes a artistas abraçávamos com paixão. Nas longas tertúlias no bar ou no pátio da cisterna tudo se discutia desde o futuro do país e da escola às grandes obras que alguns de nós ambicionavam realizar. Conheci quase todos os colegas da época porque estava em representação dos colegas no Conselho Directivo em equipa com Isabel Sabino e Adão Contreiras.

 

Transmontano de objectivos bem delineados. Amava a justiça, sabia o que queria e não se desviava facilmente do seu caminho, podíamos contar com ele se a causa fosse justa, debaixo de uma capa de dureza escondia a tolerância e a compreensão pelas fraquezas dos amigos. Os mais fracos estavam sempre para ele em primeiro lugar.

 

Não me lembro de ter grande ambição pessoal, como acontecia com outros, focava-se na realização dos seus projectos sem se desviar um milímetro. Além de colega, tive também com ele uma relação de amizade por ser o companheiro de uma vida de Elsa Pinheiro minha amiga querida com quem partilhei muitos momentos da minha vida profissional e pessoal.

 

A maior distracção: Eu e a Elsa trabalhávamos arduamente nos nossos projectos para a profissionalização em docência. Como morávamos perto muitas vezes nos reuníamos na minha casa para fazermos os trabalhos juntas. Naquela noite as horas passaram rapidamente, a minha amiga telefonou ao companheiro. «Vem buscar-me daqui a uma hora se fazes favor» … várias horas passaram …desistimos de esperar, naquela noite a Elsa dormiu no meu sofá e o distraído só deu por falta da mulher no dia seguinte.

© Luis Espada 2021

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